O que você faz com a sua dor?

Postado dia 16/08/2019 na categoria Textos - Por

Nem tudo na vida depende de nós. Nem tudo conseguimos controlar, mudar ou guiar. Às vezes as coisas simplesmente acontecem e quando damos conta, somos apenas telespectadores da nossa própria vida.
As ações dos outros, são apenas dos outros. Não são minhas, não são suas, não são de mais ninguém. Nem mesmo de quem recebe no colo os respingos dos feitos de outrem.
Porque eles sempre caem. E vez ou outra para fora de sua bacia.

Ninguém vive uma vida isolada. Somos plural e nossas vidas se entrelaçam com outras o tempo todo. E como numa teia costurada por diversos fios finos, quando um único fio vibra, todos os outros vibram junto. Alguns em maior intensidade, outros em menor. Mas de uma forma ou de outra, todos são afetados.
Assim é a vida. Não está em minhas mãos o controle das atitudes do meu vizinho, ainda que dividamos a mesma calçada e porventura as consequências batam em minha porta também.
E é difícil aceitar isso. A sensação de impotência corrói os ossos e machuca fundo quando o que mais queremos é simplesmente agir, mas não podemos, ou não devemos.
Em nossas vidas, quem quer ir, vai. Quem quer ficar, fica. Quem quer machucar, machuca. Quem quer falar, fala. E quem quer se calar, se cala.
Não há aviso prévio. Não há manual a ser seguido. Não há regras a serem respeitadas.
As pessoas fazem o que elas querem, e a nós cabe a tarefa mais difícil: a de aceitar e seguir.

Não se pode evitar as chegadas e nem as partidas. Assim como não se pode evitar as dores causadas, as palavras cruéis proferidas ou as atitudes de frieza tomadas. Não existe portaria e nem síndico na entrada da vida de ninguém.
Mas não fazer nada também é fazer alguma coisa. O silencio também é uma resposta. E a inércia também é tomar uma atitude.
Porque o que não tem solução, solucionado está.

Você não pode prever e nem evitar as dores de chegarem. Uma hora ou outra, por uma via ou outra, elas chegam. As dores são inevitáveis. E não há nada que você possa fazer senão aceitá-las.
E após a aceitação você terá o poder de moldá-la do jeito que quiser.
A dor será sua e caberá a você a decisão da forma que tomará essa massa disforme, mal cheirosa e que queima a pele que a vida te entregou em uma bandeja.
E não se preocupe, depois de seca ela não queima mais, não cheira mais e pode até ficar bonita. Por mais que agora você não consiga enxergar essa possibilidade.

Você não tem controle do que te fizeram, mas tem com o que você faz com o que te fizeram.
Tem gente que faz experiência e aprende e ensina com ela. Tem gente que faz arte. Tem gente que faz história. Tem gente que faz motivo para continuar tentando. Tem gente que faz dinheiro. Tem gente que faz muro impenetrável. Tem gente que faz novela e passa a vida sentindo pena de si. Tem gente que faz monstro e morre devorado por ele.
A escolha é sua.

E então, o que você fará com a sua dor?

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Marina Barbieri é escritora, blogueira e mãe.
Autora da obra “Fique com alguém que não tenha dúvidas”, escreve crônicas, poesia e ficção.
Atualmente trabalha em seu segundo livro com previsão de lançamento para o final de 2019.

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